Com roupa de astronauta, criança com paralisia dá primeiros passos

Com roupa de astronauta, criança com paralisia dá primeiros passos

Quando o pequeno Carlos Mikael de Souza Mantovani, de apenas 5 anos, coloca sua "roupa de astronauta" ele não pensa em viajar para o espaço, mas sim, de fazer o que toda criança gosta: correr e jogar bola. Com paralisia cerebral, ele não conseguia se movimentar, mas com a roupa especial já se locomove com ajuda de um andador (veja vídeo ao lado).
A roupa faz parte de um tratamento chamado Thera Suit, onde se utiliza a vestimenta desenvolvida por astronautas russos durante a corrida espacial. A roupa nada mais é do que um short, colete, joelheira e tênis, que são interligados por elásticos. Com isso, a pessoa com dificuldade de movimentos tem uma melhor percepção do corpo. “A roupa ajuda na contração do corpo e ajuda a vencer a gravidade. Quando os astronautas voltavam do espaço, sem gravidade, não conseguiam se locomover como antes. Então criaram a roupa", afirma a fisioterapeuta Marita Provinciato Siscão, de São José do Rio Preto (SP).

A roupa, aliada a outras atividades, deu a Carlos Mikael uma mobilidade que até então seus familiares jamais imaginaram. A mãe dele, Andréia Pereira de Souza Mantovani, diz que antes do tratamento, ele não conseguia se locomover e agora tem de redobrar os cuidados e ficar de olho nele. “Antes do tratamento ele só ficava sentado onde a gente o colocava. Às vezes se arrastava de bumbum, mas ele não aceitava isso. Hoje ele consegue engatinhar e andar a casa toda, com o andador. Tem até hematoma nos joelhos”, afirma a mãe.
Carlos Mikael começou o tratamento em maio de 2013. Como os treinos são puxados, as sessões são feitas durante quatro semanas, com duração de três a quatro horas por dia, e depois há uma folga de três meses até outra sessão. “Nas sessões a gente potencializa as habilidades motoras dele. Com a 'roupa de astronauta', fazemos atividades que ele gosta, com brinquedos, exercícios que fazem parte da rotina dele. Para não sobrecarregar fisicamente ou estressar a criança, existe esta pausa de três meses, mas durante isso segue com a fisioterapia convencional e atividades em casa para melhorar o ganho”, diz a fisioterapeuta.

A evolução deixou a família e a própria fisioterapeuta satisfeitos com o processo de reabilitação, mas eles afirmam que o tratamento com o Thera Suit ainda está longe de acabar. Marita explica que enquanto houver um objetivo a ser alcançado, o tratamento seguirá. “Cada tratamento que ele faz tem um ganho, então podemos avançar. São ganhos evidentes, ele começa de uma forma e um mês depois está bem melhor. Após o andador, ele já começou a andar sozinho, mas em distâncias curtas, entre móveis para se apoiar. Foi um grande avanço porque não sabíamos onde poderia chegar. Vamos continuar o tratamento, longas distâncias ele não consegue, mas vamos pensar por etapas”, diz Marita.
Problema
A mãe de Carlos Mikael teve uma infecção na placenta durante a gravidez e se viu obrigada a dar a luz, mesmo com 26 semanas de gestação. A criança nasceu com apenas 950 gramas e, por falta de oxigênio, teve a paralisia cerebral.
Com o problema de não se locomover, a criança começou a fazer fisioterapia com oito meses de vida e nunca mais parou. Mas, segundo Andréia, os maiores ganhos vieram com o tratamento de Thera Suit. “Achamos muito bom o tratamento, muito valioso, começamos a ver resultados desde a primeira sessão e hoje tem uma ótima evolução. Coisas que ele não fazia antes, como se levantar apoiado na parede, agora faz tranquilamente, ele se vira muito bem e diminuiu a dependência”, diz.


Fonte G1