Novo método melhora a vida de quem tem paralisia cerebral

Novo método melhora a vida de quem tem paralisia cerebral

Só quem tem um filho com paralisia sabe o quanto é importante a conquista de um simples movimento. E é isso o que promete um método fisioterapêutico denominado "TheraSuit", também conhecido como vestimenta com cordas elásticas, que estimula os movimentos em pacientes neurológicos, idealizado a partir de efeitos gravitacionais realizados por cosmonautas, no espaço.

Disponível em Rio Preto, o tratamento pela primeira vez recebe aval da Justiça para ser realizado no estado de São Paulo em pacientes com paralisia cerebral. Quem está muito feliz com a decisão judicial é a dona de casa Aline Baptistella Lopes, de 24 anos, mãe de Erik Luis Lopes de Jesus, de 5 anos, nascido com paralisia, que aguardou mais de um ano por este desfecho. "Com apenas uma semana fazendo o método, ele já está conseguindo comer melhor, e o objetivo é que ele possa se sentar e engatinhar também. Hoje, ele não faz nada, depende de mim para tudo", diz.

Segundo a fisioterapeuta Marita Provinciatto Siscão, de Rio Preto, o método tem permitido novas conquistas aos pacientes que têm alguma dificuldade proveniente de sequelas de alterações neurológicas. "Tem permitido melhoras motoras e facilitado atividades como sentar com controle, permanecer na postura em pé e até andar com ou sem auxílio, dependendo do objetivo estipulado para cada paciente (algo que é discutido com o paciente e a família na avaliação realizada antes do início do programa)", explica.

O neurocirurgião Marcio Tostes, de Rio Preto, afirma que o método implica numa órtese dinâmica, cujo objetivo é melhorar as sensações proprioceptivas como, por exemplo, a pressão em ligamentos e músculos. "Ajuda a restaurar as respostas fisiológicas do corpo todo, incluindo padrões de movimentos ao peso e a reações musculares."

O médico afirma que, além disso, o "TheraSuit" normaliza as respostas aferentes, podendo até corrigir respostas incorretas e viciosas. "Como benefício, pode recondicionar o sistema nervoso central, normalizar o tônus muscular, alinhar o corpo, levar a uma correção dinâmica, influenciar uma resposta vestibular, melhorar o balanço corporal e a coordenação."

Capacitação nos EUA

A fisioterapeuta rio-pretense Marita Provinciatto Siscão observa que, para realizar a técnica, é preciso um preparo específico com sua criadora, Izabela Koscielny, em Michigan, nos Estados Unidos, e só daí a pessoa é qualificada para o atendimento. "O custo do 'Therasuit' é considerado elevado em relação a outras técnicas, porque o paciente permanece em terapia intensiva. Assim, aquelas famílias que não têm condições de pagar o tratamento por meios próprios têm procurado auxílio na comunidade, com empresas ou também por meio da promotoria pública. Com a divulgação do método e o reconhecimento científico da eficácia dessa terapia, alguns pais têm conseguido, via judicial, o custeio total do programa", explica.

De acordo com a fisioterapeuta Ana Carla Braccialli, de Rio Preto, já na segunda semana de tratamento se pode observar melhoras no paciente. "E ao final do primeiro programa de tratamento (quatro semanas) os resultados são muito eficazes, com aquisição de novas habilidades motoras", diz. Após três meses do término do programa, segundo ela, o paciente volta para mais uma rodada - com novos objetivos a serem atingidos. As únicas restrições para as doenças neurológicas são aquelas em que não se pode realizar o fortalecimento muscular, ou em casos de deformidades graves da coluna ou quadril e problemas clínicos não estabilizados.


SAIBA MAIS:


- O "TheraSuit" é utilizado na reabilitação de disfunções neurológicas e sensoriais. É um trabalho proprioceptivo e neuromuscular. Por meio de um sistema de cordas elásticas o corpo do paciente é colocado no padrão mais próximo do normal possível. Com a restauração da postura e a estimulação da função dos músculos posturais, o paciente aprende (ou reaprende) determinados movimentos funcionais.

Quem pode fazer

- É indicado para pacientes, adultos ou crianças, com alterações neurológicas decorrentes de diferentes patologias, como por exemplo paralisia cerebral, traumatismo cranioencefálico, síndrome de Down e acidente vascular encefálico.

Em busca de comprovação científica

A fisiatra Regina Chueire, diretora do Instituto de Reabilitação Lucy Montoro, de Rio Preto, afirma que a paralisia cerebral, assim como outras patologias incapacitantes do sistema nervoso central, deve ser tratada de forma interdisciplinar e multiprofissional, pois a incapacidade transcende a parte motora, com reflexos psicológicos e sociais.

Sobre método "Therasuit", diz que, para indicar o procedimento no serviço público, com o aval do Sistema Único de Saúde, ainda precisa que o método seja mais estudado. "Do ponto de vista científico, precisa ter seguimento com um grande número de pacientes para ser considerado um método seguro e eficaz", diz. Por outro lado, lembra que existem vários métodos, com bases neurofisiológicas, tais como Bobath, Kabat, equoterapia, hidroterapia, que hoje são universalmente aceitos e já com base científica comprovada.

Em um recente estudo feito por pesquisadores da Faculdade de Ciências Médicas, de Minas Gerais, publicado pela Revista Neurociências, os autores realizaram uma revisão sistemática em 11 estudos de diferentes países sobre a importância do método "Therasuit". O resultado aponta que existe uma demanda no mercado para novos métodos de reaprendizagem do controle motor, da postura e do equilíbrio em disfunções neurológicas e sensoriais.

"Os pacientes com disfunção neuromotora precisam recuperar sua independência funcional, o que torna a reabilitação um processo complexo", diz a pesquisadora Cristina Mattos Pereira Frange, fisioterapeuta especialista em neurológica, uma das participantes do estudo.


Fonte: Diário da Região http://www.diariodaregiao.com.br/cidades/novo-método-melhora-a-vida-de-quem-tem-paralisia-cerebral-1...