Integração sensorial ajuda crianças com alterações neurológicas

Integração sensorial ajuda crianças com alterações neurológicas

Uma nova técnica, chamada de integração sensorial, acaba de chegar a Rio Preto. Seu objetivo é atender portadores de diversos tipos de alterações neurológicas – como autismo, paralisia cerebral, Síndrome de Down -, mas também pode ser aplicada em crianças que não apresentem diagnóstico, mas características indicativas de alguma desordem sensorial e comportamental, adquiridas ou genéticas, visando a melhorar o equilíbrio, a atenção e a redução da ansiedade de seus portadores.

Foi o que aconteceu com o pequeno Pedro Rodrigues de Souza, de 8 anos, portador de paralisia cerebral, cuja maior dificuldade era manter o equilíbrio durante as brincadeiras. “Hoje, após poucas sessões, já é nítida a melhora dele. Já retém mais o impulso e, com isso, não sai mais correndo, observa melhor os desníveis, tem menos ansiedade e maior controle do déficit de atenção”, afirma a mãe, Silvana Aparecida Rodrigues de Souza, de 42 anos, que se divide entre Pedro e o irmão gêmeo dele, Davi, também vítima de paralisia, mas sem as mesmas restrições.

Segundo as estudiosas do assunto, a fisioterapeuta Vitoria Tiemi Shimizu e a psicóloga Mônica Carolina Miranda, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a aprendizagem se estrutura a partir de um ato motor e perceptivo, em que a informação é inicialmente captada do ambiente, passando por um contínuo processamento com sucessíveis níveis de elaboração, desde a captação das características sensoriais, a interpretação do significado até a emissão da resposta.

 
No estudo, recém-publicado pela Revista de Psicopedagogia, elas explicam que a aprendizagem depende da integridade do processamento sensorial, ou seja, da habilidade do indivíduo em receber as informações sensoriais do ambiente, e dos movimentos do seu corpo de processar e integrar as diferentes modalidades sensoriais no sistema nervoso central, utilizando-as para produzir respostas adaptativas adequadas.

Daí a relevância do método, que estimula crianças com diferentes patologias a subir em paredes, brincar com pneus, tirolesa, entre outros equipamentos, de modo a obter, além do equilíbrio, tranquilidade e capacidade de movimento, e atenção antes de praticar qualquer atividade. A única ressalva é com relação a crianças que sofrem crises convulsivas. A elas, o tratamento não é indicado.

De acordo com a fisioterapeuta rio-pretense Ana Luchesi, os estímulos são oferecidos sempre dentro de um contexto, no qual a criança tem participação ativa na construção das atividades. “Estas, por sua vez, ocorrem de forma motivadora, facilitando o processamento das informações no cérebro.” Já a terapeuta ocupacional Rafaela Tirintan Cardim, que também auxilia na aplicação do método de Integração Sensorial, em Rio Preto, observa que, em geral, as crianças com transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) têm apresentado bons resultados com o trabalho a curto prazo.


O método de integração sensorial é indicado a quem:

:: Tem dificuldade em explorar os brinquedos
:: Evita colocar mão na areia, tinta, cola
:: Sente dificuldade para tirar as roupas, de tomar banho, de cortar os cabelos e as unhas
:: Tem dificuldade em regular o ciclo do sono
:: Sente medo excessivo de cair, de trocas posturais, de escadas e de brinquedos de parques
:: Pobreza de coordenação motora após os 6 anos (falta de dominância para escrita ou para tarefas que exigem maior habilidade, não consegue escrever respeitando as linhas do caderno, dificuldade para recortar com tesoura)
:: Parece desorganizado, desajeitado e ansioso
:: Tem dificuldade em iniciar e terminar uma tarefa
:: Parece ter tendência a acidentes ou contusões e a tropeçar em objetos
:: Evita andar descalço, especialmente em areia e na grama
:: Distrai-se ou perde o interesse durante atividades, tarefas em grupo, evita eventos sociais


Fonte: Diário da Região http://www.diariodaregiao.com.br/cidades/integração-sensorial-ajuda-crianças-com-alterações-neurológ...